Para o Doutor Gilmar Stelo, advogado e fundador do Stelo Advogados, a inteligência artificial está transformando a rotina jurídica ao facilitar pesquisas e tarefas operacionais. Nesse cenário, surge a questão sobre o que ganhará mais importância: o conhecimento técnico ou a capacidade de julgamento, já que a tecnologia pode mudar a forma como o conhecimento jurídico é aplicado.
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A IA consegue substituir o conhecimento jurídico?
Uma ferramenta pode produzir uma resposta com rapidez, mas isso não significa que consiga compreender integralmente o contexto de uma situação. No Direito, uma conclusão depende da legislação aplicável, dos fatos apresentados, da interpretação dos tribunais e das circunstâncias específicas de cada caso. Além disso, diferentes situações podem exigir interpretações distintas, mesmo quando envolvem normas semelhantes. Por isso, a análise humana continua necessária para avaliar as particularidades de cada demanda.
Por isso, como pontua o Doutor Gilmar Stelo, o conhecimento técnico continua sendo uma base indispensável. É ele que permite ao profissional identificar se uma informação está correta, perceber inconsistências e compreender quais elementos precisam ser considerados antes de chegar a uma conclusão. Também cabe ao advogado verificar se a resposta encontrada realmente corresponde ao entendimento jurídico aplicável e se pode ser utilizada com segurança diante das circunstâncias apresentadas.
A diferença é que determinadas tarefas de pesquisa e organização podem consumir menos tempo. Com isso, parte do trabalho que antes estava concentrada na localização de informações pode migrar para etapas que exigem interpretação e tomada de decisão. Essa mudança pode permitir que o profissional dedique mais atenção à definição de estratégias, à avaliação de riscos e à construção de soluções adequadas para cada cliente.
Por que o julgamento ganha importância?
Quanto mais fácil se torna acessar informações, menos sentido faz considerar a simples capacidade de encontrá-las como único diferencial profissional. A questão passa a ser o que o advogado consegue fazer com aquilo que encontrou. Nesse contexto, interpretar dados, identificar o que realmente importa e relacionar diferentes informações pode se tornar tão importante quanto a própria pesquisa.

Uma decisão jurídica pode envolver diferentes caminhos possíveis. Nem sempre existe uma única resposta pronta, e a escolha pode depender dos objetivos do cliente, dos riscos envolvidos, do momento da decisão e das consequências de cada alternativa. Avaliar essas possibilidades exige conhecimento do caso e capacidade de ponderar os efeitos de cada escolha, especialmente quando não há uma solução evidente.
O Doutor Gilmar Stelo observa que esse cenário exige uma postura mais analítica. A tecnologia pode contribuir para organizar elementos de um problema, mas cabe ao profissional avaliar quais informações são relevantes, quais riscos merecem atenção e qual estratégia é adequada ao caso concreto. A capacidade de questionar os resultados apresentados pela ferramenta também se torna essencial, evitando que a rapidez da tecnologia substitua a análise necessária para uma decisão juridicamente responsável.
O conhecimento técnico perde espaço?
Não. Na realidade, a expansão da IA pode aumentar a importância de uma formação jurídica consistente. Para avaliar uma resposta produzida por uma ferramenta, é necessário ter conhecimento suficiente para questioná-la. Isso permite ao profissional perceber limitações, identificar informações que precisam de confirmação e evitar que uma resposta aparentemente adequada seja aceita sem análise.
Gilmar Stelo destaca que esse ponto é especialmente importante porque sistemas de inteligência artificial podem apresentar informações incorretas ou conclusões inadequadas. Uma resposta bem escrita não garante que o conteúdo esteja juridicamente correto. O profissional continua responsável por conferir fontes, interpretar o material e verificar sua aplicação ao caso. A revisão humana, portanto, permanece fundamental para reduzir erros e assegurar que a tecnologia seja utilizada como apoio, e não como substituta da análise jurídica.
