Mongaguá usa satélite e laser para monitorar áreas de risco e ocupações irregulares

Diego Velázquez
5 Min de leitura

Prefeitura amplia geotecnologias para antecipar deslizamentos e fiscalizar construções em áreas de preservação ambiental

A Prefeitura de Mongaguá ampliou o uso de ferramentas de geotecnologia para monitorar o território do município e antecipar riscos ambientais, em uma iniciativa que une Defesa Civil e Meio Ambiente em torno de um mesmo conjunto de dados digitais. Técnicos das duas áreas participaram, no fim de abril, de uma oficina promovida pelo Instituto Geográfico e Cartográfico, em Praia Grande, voltada especificamente a ferramentas aplicadas à gestão municipal do território.

A iniciativa acontece em um contexto de pressão crescente sobre áreas ambientalmente sensíveis em toda a Baixada Santista, região onde municípios litorâneos como Mongaguá convivem com ocupações irregulares, encostas vulneráveis e expansão urbana sobre zonas de preservação. Diante desse cenário, o poder público municipal passou a apostar em tecnologia para conseguir enxergar o território com mais detalhe e agilidade do que os métodos tradicionais de fiscalização permitiam até então.

Quais tecnologias estão sendo usadas

Entre os recursos empregados pela administração municipal está o monitoramento por satélite, usado para identificar alterações no solo ao longo do tempo, permitindo perceber com rapidez o surgimento de novas construções ou movimentações de terra em áreas sensíveis. Some-se a isso o uso de sistemas de perfilamento a laser, tecnologia capaz de mapear o relevo do município com precisão centimétrica, o que ajuda a identificar formações de terreno mais propensas a deslizamentos, especialmente em períodos de chuva intensa.

A prefeitura também recorre a plataformas metropolitanas de gestão habitacional, que permitem cruzar diferentes camadas de informação, como áreas habitadas, cobertura vegetal, relevo e infraestrutura urbana, tudo dentro de uma mesma base de dados espaciais. Na prática, esse cruzamento de informações ajuda o poder público a identificar construções em áreas de preservação ambiental e a acompanhar mudanças no território associadas a riscos, algo que antes dependia quase inteiramente de vistorias presenciais, mais lentas e limitadas em escala.

Por que isso importa para quem mora em Mongaguá

Mongaguá é um município litorâneo em que a ocupação do solo convive de perto com áreas de Mata Atlântica, zonas alagáveis e regiões sujeitas a deslizamentos, características que tornam o planejamento urbano especialmente delicado. Com a adoção dessas ferramentas de geotecnologia, a gestão municipal afirma que o objetivo central é reduzir o tempo de resposta diante de situações críticas, como deslizamentos ou alagamentos, e antecipar cenários de risco antes que eles se transformem em emergências, especialmente durante o período de chuvas mais intensas no litoral paulista.

Uma leitura territorial detalhada do município, feita a partir de uma plataforma especializada em geoinformação, mostrou a complexidade do desafio enfrentado pela prefeitura. O território de Mongaguá abriga duas unidades de conservação importantes, o Parque Estadual da Serra do Mar e a APA Marinha do Litoral Centro, além de treze áreas de florestas públicas e 136 imóveis registrados no Cadastro Ambiental Rural. A mesma análise identificou ainda quatro terras indígenas guarani que fazem interseção com o município, reforçando a sobreposição entre conservação ambiental, ocupação tradicional e expansão urbana dentro do mesmo espaço territorial.

O que muda na fiscalização e no planejamento urbano

Com uma base de dados espaciais mais completa, a expectativa é que a fiscalização municipal ganhe mais precisão na identificação de irregularidades, seja em relação a construções em áreas de preservação, seja no acompanhamento de processos minerários ativos no município, que incluem a exploração de granito, areia e migmatito. Esse tipo de informação também tende a apoiar decisões relacionadas a licenciamento e ordenamento territorial, áreas em que a falta de dados atualizados costuma dificultar o trabalho dos órgãos responsáveis.

Para moradores de bairros próximos a encostas ou áreas alagáveis, o uso dessas tecnologias pode significar, na prática, um sistema de alerta mais rápido em situações de risco iminente, já que a Defesa Civil passa a contar com informações territoriais atualizadas com mais frequência. Já para quem pensa em construir ou investir na cidade, a modernização da fiscalização sinaliza que processos de licenciamento tendem a levar em conta, cada vez mais, dados técnicos precisos sobre relevo, vegetação e histórico de ocupação do solo, o que deve tornar as regras mais claras tanto para o poder público quanto para quem busca empreender em Mongaguá.

Fontes: Geocracia, o portal da Geoinformação

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