Elmar Juan Passos Varjão Bomfim analisa que a engenharia de infraestrutura atravessa uma transformação estrutural na qual a separação entre obra física e sistemas digitais deixou de atender às exigências operacionais contemporâneas. A eficiência de um ativo passou a depender não apenas da solidez construtiva, mas da forma como estruturas, equipamentos, automação e sistemas de gestão se articulam de maneira coerente ao longo de todo o seu ciclo de vida.
Nesse contexto, a integração entre componentes físicos e digitais não pode ser tratada como etapa posterior à execução. Quando essa convergência não é antecipada, surgem limitações operacionais, desperdício de potencial tecnológico e dificuldades de adaptação futura. A engenharia assume, assim, um papel decisivo ao estruturar desde o projeto as condições técnicas que permitirão o uso qualificado da infraestrutura ao longo do tempo.
Infraestrutura física e sistemas digitais como um único sistema técnico-operacional
Na leitura de Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, infraestrutura física e sistemas digitais devem ser concebidos como partes de um único sistema técnico-operacional, e não como camadas independentes sobrepostas após a obra concluída. Estruturas, redes elétricas, sistemas de telecomunicação, automação e plataformas de monitoramento passam a operar de forma interdependente, exigindo decisões integradas entre disciplinas tradicionalmente tratadas de maneira isolada.
Essa concepção integrada demanda que a engenharia considere, ainda na fase de projeto, aspectos como espaços técnicos adequados, rotas compatíveis com futuras expansões, redundâncias energéticas e compatibilidade entre equipamentos físicos e sistemas digitais. Quando esses elementos são incorporados de forma estruturante, a infraestrutura ganha capacidade de adaptação contínua, reduzindo intervenções corretivas e evitando soluções improvisadas que comprometem a operação.
Decisões de engenharia que condicionam o uso qualificado dos dados
Conforme avalia Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, o uso efetivo de dados em infraestrutura depende diretamente de escolhas técnicas realizadas antes mesmo do início da obra. Sensores, sistemas de automação e plataformas analíticas só produzem valor quando a infraestrutura física foi projetada para garantir coleta confiável, transmissão segura e interpretação consistente das informações geradas durante a operação.
Projetos que negligenciam essa relação tendem a acumular dados fragmentados ou pouco confiáveis, justamente porque a engenharia não criou as condições físicas adequadas para o funcionamento dos sistemas digitais. Posicionamento inadequado de sensores, ausência de redundância e limitações estruturais acabam comprometendo a leitura real do desempenho do ativo, reduzindo a utilidade prática das informações disponíveis.

Riscos técnicos da digitalização desconectada da lógica da infraestrutura
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim frisa que existem riscos associados à digitalização quando ela é conduzida de forma dissociada da lógica da infraestrutura física. Sistemas digitais incorporados sem integração adequada tendem a gerar dependências excessivas, vulnerabilidades operacionais e dificuldades de manutenção, especialmente em ativos críticos que exigem alta confiabilidade e previsibilidade.
A engenharia exerce papel central ao estabelecer limites claros entre automação, controle digital e capacidade operacional da infraestrutura. Essa definição técnica garante que o ativo mantenha funcionalidade mesmo diante de falhas tecnológicas, evitando que a inovação se transforme em fator de instabilidade ou interrupção de serviços essenciais.
Integração físico-digital como vetor de desempenho e longevidade dos ativos
Sob a ótica de Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, a integração entre infraestrutura física e sistemas digitais atua como vetor decisivo de desempenho e longevidade dos ativos. Obras concebidas com essa lógica respondem melhor a variações de demanda, exigências regulatórias e avanços tecnológicos, mantendo estabilidade operacional sem necessidade de intervenções estruturais recorrentes.
Ao assumir essa função integradora, a engenharia transforma dados em instrumento efetivo de gestão, sem perder o controle técnico sobre a base física da infraestrutura. Esse equilíbrio permite que a inovação amplifique a eficiência operacional, reforçando uma infraestrutura mais adaptável, previsível e preparada para desafios futuros.
Autor: Inês Costa
